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Agosto lilás: O que religião tem a ver com proteção das mulheres? Boletim #13 2025

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2025

Olá! Como vai?

No mês marcado pela campanha Agosto Lilás, que visa conscientizar a população sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher e pelo aniversário da Lei Maria da Penha, celebrado dia 7 de agosto, trazemos uma reflexão: qual é o papel da religião no enfrentamento à violência doméstica? Os templos religiosos podem ser espaços de acolhimento e proteção?

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Datafolha revela que a violência é maior entre mulheres evangélicas (38,7%) e católica (33,2%).

O ISER conduziu a pesquisa Mulheres evangélicas, política e cotidiano, realizada nos anos de 2022, 2023 e 2024. Mais do que compreender exclusivamente sua percepção sobre as eleições e voto, a pesquisa explora as percepções sobre política e cidadania articuladas à vida cotidiana. O estudo abrangeu entrevistas com mulheres de diversas regiões do país e pertencentes a diferentes denominações evangélicas, buscando entender suas vivências religiosas, percepções políticas e engajamentos sociais. A violência doméstica está entre um dos temas abordados.

Nos três anos da pesquisa, foi possível perceber que as entrevistadas possuem uma consciência crítica em relação à violência doméstica. Elas reconhecem a existência desse tipo de violência e têm informações sobre leis que visam proteger as mulheres. No entanto, apontam para a inoperância do aparato estatal no sentido de assegurar essa proteção. O estudo também mostra que a igreja é vista como um espaço de acolhimento das mulheres e de solução para problemas cotidianos, entre esses, os que impactam a cidadania feminina. A igreja também é compreendida como uma família estendida e um agente de transformação do lar, ajudando a diminuir os conflitos familiares. 

Apesar dos desafios, é inegável que os templos religiosos exercem uma influência importante na formação de valores e na mediação de conflitos dentro das comunidades. Como mostra a pesquisa, as igrejas são vistas como espaço de acolhimento e apoio.

É importante destacar que a prevalência de violência é maior entre as mulheres negras, jovens e de baixa escolaridade. Fatores como classe social, raça, idade e escolaridade estão entre os principais marcadores de vulnerabilidade. Somente no ano de 2024, 21,4 milhões de brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Datafolha.

Neste Agosto Lilás reforçamos que o enfrentamento à violência contra mulher requer compromisso coletivo e transversal, que envolva todos os espaços da vida social, inclusive os espaços de fé.

Os relatórios da pesquisa Mulheres evangélicas, política e cotidiano serão lançados pelo ISER no segundo semestre de 2025. 

Enquanto isso, relembre os dados preliminares da pesquisa:


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