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Carnaval e segurança pública: quem tem direito à festa? #Boletim 02 2026

Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Olá! Como vai?

O Carnaval é o maior evento cultural do Brasil e um dos principais símbolos da ocupação popular do espaço público. A festa que simboliza liberdade e pertencimento também evidencia desigualdades históricas e conflitos relacionados à segurança pública.

Em diferentes capitais brasileiras, o período carnavalesco revela tensões que envolvem racismo, repressão, privatização do espaço público e violência contra trabalhadores informais.

Para compreender melhor esses cenários, o ISER conversou com pesquisadores e ativistas de Salvador, Rio de Janeiro e Olinda, três cidades que realizam um dos maiores carnavais do Brasil. As entrevistas lançam luz sobre como a política de segurança pública impacta quem faz o carnaval acontecer e os desafios de garantir que a festa seja um espaço de direitos para todos.

Em Olinda (PE), Mayara Gomes, diretora da Troça Carnavalesca Mista John Travolta, denuncia abuso de poder, despreparo estatal e a crescente tensão nas prévias carnavalescas. Em uma cidade marcada pela tradição dos blocos de rua, ela questiona um modelo de segurança que, em vez de fortalecer a cultura popular, produz medo e conflito. “Um modelo de segurança que faria sentido é aquele que abraçasse a nossa cultura e respeitasse nossa tradição. Que viesse para fazer o que é para ser feito, e não no intuito de acabar, criar caos, bater em inocente, coagir quem só está ali para brincar, para viver o carnaval”, enfatiza.
Leia a entrevista completa no site do ISER.

Em Salvador (BA), Dudu Ribeiro, Diretor Executivo da Iniciativa Negra Por uma Nova Política de Drogas, analisa como a política de segurança no carnaval opera a partir de uma lógica repressiva, que transforma a festa popular em território de controle e medo. Segundo ele, a violência não ocorre apenas em situações de conflito. Ela se estrutura como estratégia. “Não há uma ideia de segurança pública que parte do princípio de proteger todas as pessoas para o carnaval funcionar. Parte da ideia de que é preciso agredir algumas pessoas para fazer um trabalho de amedrontamento”, pontua.
Confira a entrevista completa no site do ISER.

No Rio de Janeiro (RJ), Maria dos Camelôs, Coordenadora Geral do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) e trabalhadora ambulante há mais de 25 anos, relata a realidade enfrentada por camelôs durante o período carnavalesco. Ela denuncia a violência praticada por agentes do Estado, a ausência de condições dignas de trabalho e a insegurança constante. “A gente faz o Carnaval ser bonito e contribui com essa festa maravilhosa, mas que não é pra gente. A gente está ali para servir a população, sendo reprimido com toda a violência que o Estado tem pros corpos pretos, que são os nossos corpos”, afirma.
Leia a entrevista completa no site do ISER.

O Carnaval é feito por trabalhadores, artistas, coletivos e comunidades inteiras. Pensar segurança pública nesse contexto é refletir sobre quem tem direito à festa, ao trabalho e à cidade. É reconhecer que proteger a cultura popular significa também enfrentar desigualdades raciais e sociais que se intensificam nos grandes eventos.


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