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Combate à crise climática: ISER presente no Fórum Social Pan-amazônico

O ISER esteve presente na 11ª edição do Fórum Social Pan-amazônico (FOSPA), na Bolívia, representado por Paulo Sampaio, articulador da área de Religião e Meio Ambiente, nos dias 12 a 15 de junho. Nesta edição, foram abordados quatro eixos temáticos, sendo: Povos Indígenas e Populações Amazônicas; Mãe Terra; Extrativismo e alternativas e Resistência das Mulheres. O Fórum Social Pan-amazônico é conhecido como o encontro das amazônias, porque além de abranger nove países com diferentes línguas, em seu território habitam povos distintos – indígenas, ribeirinhos, afrodescendentes, entre outros – com culturas diversas.

Durante o evento, os grupos presentes realizaram visitas aos territórios afetados pela mineração e atingidos por incêndios, que destruíram boa parte da fauna e flora local. O ISER participou da visita ao território do Povo Chimani. Além de marcar presença na marcha entre as cidades de San Buenaventura e Rurrenabaque, com o intuito de denunciar a destruição da Amazônia e clamar por sua proteção.

Para o articulador Paulo Sampaio, um dos momentos mais marcantes durante a visita ao território do Povo Chimani foi escutar as histórias contadas pelo líder da comunidade. “As lágrimas do líder marcaram os que estavam presentes ao compartilhar dos incêndios que, vindos de outros territórios, destruíram parte da flora e fauna. Mesmo sem as ferramentas adequadas para controlar o fogo, a comunidade teve que lidar com o problema por três meses sem apoio. As crianças foram as mais impactadas, tiveram sua alimentação afetada, uma vez que, assim como a comunidade no geral, se alimentavam do que vinha da floresta. Além de sofrerem por problemas respiratórios decorrentes das queimadas”, conta Sampaio.

O articulador ainda faz uma alerta sobre a necessidade da preservação e atenção com a Floresta Amazônica para garantir a vida em diversos territórios. “A Floresta Amazônica pode não ser o pulmão do mundo, como nos alertam muitos cientistas, mas para nós da América do Sul é como um grande coração pulsante e cheio de vida. Da Amazônia descem as chuvas que alimentam as grandes bacias hidrográficas de nossa região através dos rios voadores. E talvez seja esse o exemplo mais forte e evidente que podemos oferecer sobre a interdependência e interligação entre os biomas”, ressalta.

No encerramento do FOSPA, o ISER participou da Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima. A mobilização foi marcada por debates sobre o modelo de governança global que usa os espaços das Conferências das Partes da ONU (as COPs) para debater a crise climática. Além do Fórum Social Pan-Amazônico, o ISER esteve presente na Conferência Comunidade das Águas, realizada nos dias que antecederam o FOSPA, com lideranças de diversos territórios da Bolívia – dos altiplanos, nos Andes, até as terras baixas, Amazônia e Chaco. A conferência abordou as principais ameaças ligadas à crise climática, bem como o desmatamento, grandes secas na Amazônia, redução dos glaciais, incêndios, perda das produções agrícolas e de animais, contaminação por mineração, entre outros.

No encontro foi discutido o Tratado Amazônico – Restaurar os ciclos das águas, visando desenvolver não somente os governos, mas também a sociedade civil e comunidades locais. O Tratado reforça que a água não deve ser vista apenas como um objeto ou recurso, mas como sujeito de direitos e ações objetivas que possam ser formuladas promovendo a proteção das águas.