No dia 27 de maio, o ISER realizou mais um Diálogos (Im)pertinentes, em parceria com o PPGAS (Museu Nacional) e o Laboratório de Antropologia do Lúdico e do Sagrado (Ludens). Desta vez, recebemos a antropóloga Naomi Haynes para um debate sobre cristianismos, nacionalismos e suas experiências, possibilidades e desafios de pesquisas internacionais. O diálogo teve como tema central o nacionalismo cristão e os desafios metodológicos e éticos de pesquisa de campo, com foco em compreender a relação entre religião, política e identidade nacional, refletindo como o cristianismo, em suas diversas vertentes, influencia e é influenciado pela construção da nação.
O nacionalismo cristão é uma ideologia política que ocupa a religião ou um fenômeno religioso que ocupa a política?
Essa foi uma das questões levantadas durante o encontro. A pesquisadora Naomi, com base em sua experiência de pesquisa na Zâmbia, tende a ver que são as “ideias religiosas que comandam o engajamento político, não o contrário”, embora reconheça a dificuldade de determinar qual precede o outro e que há líderes políticos que podem usar a linguagem religiosa para mobilizar pessoas sem necessariamente compartilhar as crenças.
Historicamente, o ISER promove a produção de conhecimento sobre a relação entre religião e política, estudando diversas tradições religiosas no Brasil, como o catolicismo, o pentecostalismo e as religiões de matriz africana. Para a coordenadora de Religião e Política Lívia Reis, “essa trajetória mostra que a religião e a política no Brasil sempre foram muito imbricadas, nunca foram campos separados da vida social”. Ou seja, é preciso falar sobre religião para compreender o Brasil.
Em relação aos desafios metodológicos e éticos apontados pelos pesquisadores, estão os grupos “repugnantes”, isto é, cujas convicções políticas e existenciais entram em conflito com as dos pesquisadores. Para Naomi, lidar com o desconforto político ou moral com os grupos estudados é parte da experiência do pesquisador. A antropóloga ainda enfatiza que analisar a forma como o pesquisador constrói o “outro repugnante” pode ser mais revelador do que as características intrínsecas do grupo estudado. “Isso envolve um esforço para manter a objetividade e um posicionamento crítico sem cair em julgamentos morais. Essa busca por uma compreensão profunda pode ser desafiadora ao lidar com visões de mundo muito diferentes das nossas”, pondera.
A criação de espaços para o diálogo na construção e manutenção da democracia é fundamental, mesmo com grupos com visões de mundo divergentes. Por isso, o ISER busca fortalecer esses debates, com o intuito de encontrar pontos de intercessão para estabelecer um diálogo onde o respeito pela democracia seja sempre central.
O ISER segue acreditando na promoção de alianças estratégicas na defesa de valores democráticos, justiça e direitos humanos.

