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Cristianismos e Narrativas Climáticas: Percepções e debates sobre meio ambiente | Boletim #12 2024

Sexta-feira, 21 de Junho de 2024

Olá, tudo bem?

O que pensam cristãos sobre a questão ambiental e climática no Brasil?

Nesta edição, trazemos dados sobre a pesquisa “Cristianismos e Narrativas Climáticas” realizada pelo ISER na Marcha para Jesus e nos ambientes digitais. Os dados coletados oferecem uma análise de como grupos cristãos vêm construindo repertórios sobre debates relacionados ao meio ambiente e mudanças climáticas. Leia até o final e confira!

📩 Você vai ver também neste boletim: Monitoramento de Projetos de Lei; Retrocesso nos direitos das mulheres; Formação de assistentes religiosos para o sistema prisional; ISER em Bonn; e, Fórum Rio 2024.


Pesquisa inédita: Cristianismos e Narrativas Climáticas revela que questão ambiental não é pauta polarizada entre cristãos

No mês do Meio Ambiente, o ISER divulga a pesquisa “Cristianismos e narrativas climáticas“, que tem como objetivo contribuir para a compreensão de como grupos católicos e evangélicos interpretam os debates relacionados ao meio ambiente, concepções de natureza e mudanças climáticas. 

O estudo foi feito a partir de metodologias quantitativas e qualitativas nos ambientes digitais e nas ruas, em entrevistas realizadas nas Marchas para Jesus em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, entre junho e dezembro de 2023. Os resultados revelam que evangélicos dispensam negacionismo climático e atribuem mudanças climáticas à ação humana, como revela matéria da Folha.

Leia a matéria na Folha de S. Paulo 

Dados da pesquisa também demonstram que a maioria dos evangélicos (86%) acredita na responsabilidade do Estado para criação de políticas públicas de preservação e enfrentamento às mudanças climáticas. A maioria dos entrevistados na Marcha para Jesus também concorda que a igreja deve abordar o assunto em seus espaços e atividades e defende a proteção de terras indígenas.


Tragédia no Rio Grande do Sul, aborto, assistência religiosa e show da Madonna: destaques do Monitoramento de Projetos de Lei

A pesquisadora Cristina Vital comenta alguns dados do Censo destacando como instituições religiosas são importantes veículos para a chegada de políticas públicas.

A comoção nacional com a tragédia no Rio Grande do Sul motivou uma enorme gama de projetos, dos quais o ISER destacou uma amostra com diferentes ênfases. No mês de maio, também foi destaque uma quantidade significativa de proposições de parlamentares alinhados à direita e à extrema direita que se opunham tanto a deliberações de conselhos de políticas públicas sobre práticas de assistência religiosa quanto a diretrizes do governo federal para a segurança pública. Assuntos referentes a direitos humanos, como aborto e política de drogas, foram alvo de PLs em maio.  

Entre os temas, chamam a atenção: (1) A tragédia no Rio Grande do Sul, resultante do grande volume de chuvas e da ausência de políticas de enfrentamento destes eventos climáticos extremos; (2) Reação ao show da Madonna, realizado nas areias da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, que reuniu mais de 1,5 milhões de pessoas e motivou a proposição parlamentar; (3) A assistência religiosa e espiritual em prisões, que provocou reações públicas de lideranças religiosas e políticas, alegando que o encaminhamento configuraria uma restrição à liberdade religiosa de evangélicos e uma perseguição a este segmento cristão.

Aborto: Restrições de direitos

Entrou em discussão na Câmara e na esfera pública o PL 1904/2024, que propõe uma alteração na lei penal sobre o aborto. O novo Projeto de Lei propõe equiparar o aborto legal, acima de 22 semanas de gestação, ao crime de homicídio, além de por fim à não punibilidade do aborto legal nesses casos. De acordo com o projeto, as mulheres que passarem pelo procedimento e os profissionais que fizerem o aborto podem ser punidos com prisão, com pena maior do que a prevista em crime de estupro.

O Anuário Brasileiro de Segurança indica que o Brasil alcançou o recorde de denúncias de estupro em 2022, com cerca de 75 mil vítimas. Destas, 6 a cada 10 tinham, no máximo, 13 anos de idade. Os 33 parlamentares coautores do Projeto de Lei desprezam estes dados, ancorados na crença de que o feto é uma pessoa, o que permitiria que legisladores não aceitem “que uma pessoa inocente seja morta, para resolver um problema de outra”. O grupo demanda que o projeto seja votado em regime de urgência, o que dispensa a análise das comissões temáticas e libera a votação diretamente no plenário. 

Em reação a este projeto, que pode ser votado na Câmara porque foi aprovado seu regime de urgência, organizações da sociedade civil lançaram uma campanha contra o PL intitulada “Criança não é Mãe”.

O monitoramento do ISER tem mapeado propostas que circulam na Câmara em 17 categorias: 1) Direitos da Mulher; 2) Crimes e Segurança Pública; 3) Causa animal; 4) Ameaça ao Estado Democrático de Direito; 5) Imigração; 6) Educação; 7) Política de drogas; 8) Direitos da Criança e do Adolescente; 9) Regulação de mídias; 10) Família; 11) Direitos dos povos indígenas e Comunidades Tradicionais; 12) Direitos Humanos; 13) Calendários oficiais, patrimonialização e homenagens; 14) Religião, 15) Direitos Sexuais e Reprodutivos, 16) Raça e Racismo e 17) Meio Ambiente e Questões Climáticas. 

Para saber mais sobre as propostas que circulam na Câmara, acesse a plataforma Religião e Poder


ISER em Bonn: Caminhos possíveis para enfrentar a crise climática

O ISER organizou o evento paralelo na Conferência de Mudança Climática da ONU em Bonn, na Alemanha, com o tema “Comunidades Afrodescendentes: caminhos possíveis para enfrentar a crise climática”, em parceria com o Geledés-Instituto da Mulher Negra e Conectas. O debate contou com as falas de Leticia Leobet, assessora internacional de Geledés-Instituto da Mulher Negra; Isabel Pereira, coordenadora de Religião e Meio Ambiente do ISER; Angela Ebeleke, Ponto Focal da República Democrática do Congo para Gênero e Mudança Climática no UNFCCC; Hannah Balieiro, diretora executiva do Instituto Mapinguari e com mediação de Iradj Eghrari, assessor internacional de Geledés-Instituto da Mulher Negra.

As palestrantes abordaram sobre como as populações que são afetadas por esses eventos fazem parte das soluções e contribuem para a proteção ambiental, como as comunidades tradicionais afrodescendentes e de religiões de matriz africana. As políticas públicas sobre a adaptação climática são urgentes para enfrentar o impacto dos eventos climáticos extremos nas áreas urbanas, florestais e rurais. 

Durante o painel foi apresentado o vídeo “Religiões de Matriz Africana e a relação com a natureza”, produzido pelo ISER. 


Do cuidado à moradia: Fórum Rio 2024

No dia 8 de junho, o ISER esteve presente no Fórum Rio 2024, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, representado pela assistente social Késsia Gomes, da área de Direitos e Sistema de Justiça. Késsia participou do painel “Do cuidado à moradia: o quanto a falta sobrecarrega” e abordou a política de assistência, com foco na discussão de gênero dentro do serviço social e a priorização e distribuição de políticas públicas. A mesa também teve a participação da jornalista e coordenadora de informação da Casa Fluminense Luize Sampaio, da pesquisadora Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Thamires Ribeiro, da coordenadora de projetos da Mulheres da Parada Larissa Lopes e do Chicó Espírito Santo, Conselheiro da casa Egbé Iya Omi Àti Obalùiyè. O encontro, organizado pela Casa Fluminense, reuniu diversas lideranças e representantes de organizações da sociedade civil para debater as prioridades para a metrópole do Rio.
 


Diversidade religiosa, laicidade e direitos
ISER contribui na formação de assistentes religiosos para o sistema prisional no Rio de Janeiro

Há anos, o ISER tem contribuído na formação de agentes religiosos para atuação no sistema prisional no Estado do Rio de Janeiro. A convite da Secretaria de Administração Penitenciária, por meio da Coordenação de Serviço Social, estivemos mais um vez na SEAP enfocando temas como diversidade religiosa, laicidade do estado, tolerância e racismo religioso, além de outros ancorados na defesa de direitos humanos. Visando afirmar e garantir direitos, segundo a legislação, às pessoas privadas de liberdade, o ISER tem mantido essa interlocução, mobilizando conhecimentos e dialogando com os agentes religiosos. 

Esta edição do encontro de formação ocorreu no dia 7 de junho, no espaço da SEAP no Centro do Rio de Janeiro, e contou com a participação de dezenas de lideranças religiosas, de diferentes denominações e grupos, além da equipe do Serviço Social. A palestra foi feita pelo sociólogo Clemir Fernandes, em nome do ISER.


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