O ISER participou da Conferência de Bonn (SB64), na Alemanha, e co-realizou o evento paralelo ‘Racismo Ambiental e Justiça Climática: desigualdades estruturais na governança e na implementação climática’, em parceria com o Geledés – Instituto da Mulher Negra e o Engajamundo, com apoio do Instituto Socioambiental e da Conectas Direitos Humanos. O evento foi realizado no dia 12 de junho e teve como objetivo promover o debate sobre como raça, território, gênero e a classe social determinam quais são os grupos mais afetados pela crise climática e quem tem menos acesso a mecanismos de proteção e adaptação.
O evento reuniu diferentes vozes, entre representantes do poder público, líderes comunitários e tomadores de decisão a fim de encontrar métodos possíveis de resolução para as questões apresentadas. Na ocasião, o ISER compartilhou a pesquisa “Cristianismos e Narrativas Climáticas”, que traz uma análise sobre como grupos católicos e evangélicos interpretam os debates relacionados ao meio ambiente, concepções de natureza e mudanças climáticas. A pesquisa, realizada em 2024, ouviu mais de 660 moradores de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, majoritariamente negros e residentes de regiões periféricas.
A Conferência de Bonn é considerada uma das etapas mais importantes do calendário climático internacional e reúne representantes do governo e da sociedade civil para discutir questões técnicas e políticas que orientam as negociações na COP. O ISER esteve representado no evento pela Lígia Cerqueira, Assessora de Relações Internacionais. Para ela, é fundamental estar presente em um evento com uma agenda de justiça racial, pois é onde constroem parâmetros que orientam decisões que têm impacto direto sobre comunidades negras, indígenas e quilombolas no Brasil e no mundo.
“Apresentar resultados de pesquisas conduzidas pelo ISER, como ‘Cristianismos e Narrativas Climáticas’, é importante porque mostra como as populações com quem trabalhamos entendem e querem que a justiça climática chegue aos territórios em que vivem. Espaços de fé alcançam territórios e públicos que os movimentos ambientais tradicionais muitas vezes não conseguem acessar. Ouvi-los como fizemos por meio da pesquisa e depois levar esses resultados a espaços como Bonn é fazer com que as preocupações dessas pessoas, que em geral estão ausentes desses espaços das negociações internacionais sejam, de alguma forma, consideradas nas decisões que mais as afetam”, pontua.

O ISER também esteve presente em eventos paralelos promovidos por organizações de fé e escreveu em parceria com outras instituições uma carta aberta dirigida aos governos de Irlanda e Tuvalu – responsáveis pela organização da próxima Conferência sobre Transição de Combustíveis Fósseis – solicitando que as organizações de fé sejam reconhecidas formalmente como um ator oficial na luta contra a crise climática, visto que os grupos religiosos têm um papel fundamental no enfrentamento à crise climática, tanto por sua capacidade em mobilizar redes quanto pelo senso de responsabilidade coletiva, além de reforçarem a importância de garantirem um espaço na pré-conferência e durante a Conferência.
A Conferência de Bonn (SB64) é a 64ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e reúne negociadores dos países para debater políticas e ações relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. O encontrou teve como foco transformar compromissos em implementação prática e pavimentar os preparativos para a próxima Conferência das Partes (COP).

