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De Baku a Belém: Os caminhos da COP 29 para a COP 30 Boletim #24 2024

Sexta-feira, 29 de Novembro de 2024

Olá, tudo bem?

Quais os maiores desafios para a COP 30?

O mês de novembro foi composto por agendas globais em prol de iniciativas que promovam uma sociedade mais sustentável e justa para todos. O ISER esteve presente na COP 29 do Clima, no Azerbaijão, construindo pontes, diálogos e participando de painéis que visam contribuir para um mundo que compreenda que promover a justiça socioambiental é construir um futuro de dignidade. 

A partir de agora temos o desafio de pensar em como construir uma COP 30 que seja efetiva para a sociedade, visto que a crise climática é um desafio que afeta a todos e precisa de resoluções urgentes e eficazes.

Você também vai ver neste boletim: ADPF das Favelas; Encontro da rede Fé no Clima; Novo número da Revista Religião & Sociedade e ISER na mídia.

Boa leitura!


COP 29 do Clima: debates e próximos passos para a COP 30

Dos dias 11 a 22 de novembro aconteceu a COP 29, Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, em Baku, no Azerbaijão. O ISER participou do evento sendo representado por Isabel Pereira, Coordenadora de Religião e Meio Ambiente, Ronilso Pacheco, Diretor de Programas e Sharah Luciano, Assistente de Projetos. 

Durante nossa participação, o ISER promoveu o painel ‘Comunidades religiosas alinhadas para alcançar resultados estratégicos no caminho para a COP 30’, no Pavilhão da Fé, em parceria com a Red de Fe por La Justicia Climática e o Tapiri Ecumenico e Inter-religioso. Para Ronilso Pacheco, um dos desafios a serem enfrentados é integrar as redes internacionais com os grupos religiosos do país e pensar na construção desse diálogo, aumentar a diversidade de grupos religiosos e a interação entre as demais atividades com o Pavilhão da Fé. Além disso, Sharah Luciano participou do painel ‘Adaptação Antirracista às Mudanças Climáticas’, que aconteceu no Pavilhão Brasil. Sharah abordou como os eventos extremos afetam as comunidades religiosas, destacou a importância de demarcar esse espaço e que a pauta de adaptação com a perspectiva antirracista tem sido cada vez mais presente dentro da agenda do clima.

A “COP do financiamento”, como foi nomeada pelos participantes, tinha como um dos seus objetivos aprovar a Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático (NCQG) e os governos discutiram para definir como, quem, quando e quanto irão pagar a conta da crise climática.  O acordo estabelecido contempla todos os envolvidos a trabalharem juntos para viabilizar a ampliação do financiamento aos países em desenvolvimento visando alcançar, pelo menos, USD 1,3 trilhão por ano até 2035. Especificamente em relação aos países desenvolvidos, decide estabelecer patamar “como extensão da meta” de USD 100 bilhões ao ano. Essa meta conta com os países desenvolvidos assumindo a liderança e no montante de, pelo menos, USD 300 bilhões por ano até 2035.

A decisão adotada reforça a importância de reduzir o custo do capital e aumentar a relação de mobilização de financiamentos provenientes de fontes públicas até 2030. Entretanto, vale destacar que essa COP não chegou a uma decisão unânime sobre a nova meta de financiamento climático, bem como não conseguiu uma decisão para implementar as recomendações do Balanço Global do Acordo de Paris. 

No próximo ano, o Brasil sediará a COP 30, em Belém – PA, e temos o desafio de construir caminhos, diálogos e conexões que resultam em uma conferência eficiente com mudanças significativas para mitigar a crise climática. A pauta é urgente e precisa de ações eficazes! 


ADPF das Favelas: pela redução da letalidade policial

Na quarta-feira do dia 13 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, mais conhecida como “ADPF das Favelas”.

O coordenador da área de Direitos e Sistema de Justiça do ISER Lucas Matos, realizou uma sustentação oral durante o julgamento e destacou a urgência da redução da letalidade policial no Rio de Janeiro, articulando diretamente ao caso da favela de Nova Brasília. Durante sua fala, o advogado reverenciou a luta corajosa dos familiares, alguns deles estavam presentes no plenário, e enfatizou o quadro de sistemático descumprimento da sentença internacional que condenou o Brasil e determinou uma série de medidas de não repetição, voltadas para a transformação do modelo de segurança pública vigente, sustentado na violência contra a população negra e periférica.

Na semana do julgamento, o ISER também participou de uma agenda com o Ministério da Igualdade Racial, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério dos Direitos Humanos junto com os familiares das vítimas de Nova Brasília para dialogar sobre medidas efetivas de reparação simbólica.

No contexto geral de descumprimento das medidas da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Estado do Rio de Janeiro nunca apresentou um efetivo plano de redução da letalidade policial, que seja construído com participação popular e reconheça a dimensão estrutural do racismo na segurança pública.

Após 30 anos da chacina de Nova Brasília, o ISER segue reverenciando a luta dos familiares do caso e de tantas outras famílias vítimas de violência do Estado. 


Convite Encontro Fé no Clima: construção, articulação e resultados

Para fechar o ano de 2024 com um momento de troca e construção, será realizado o Encontro da rede Fé no Clima, na sede do ISER, no dia 6 de dezembro, às 09h. 

O objetivo do encontro é abordar as articulações e resultados realizados na COP 16 da Biodiversidade, na Colômbia, na COP 29 do Clima, no Azerbaijão e no G20 Social, no Rio de Janeiro. Além de compartilhar sobre as oportunidades e desafios para a COP 30, que será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém – PA. 

O Encontro da rede Fé no Clima será híbrido. Para confirmar a sua presença, preencha o formulário. 

Venha participar desse debate que visa construir o ano climático de 2025 com muita parceria, diálogo e colaboração!


Novo número Revista Religião & Sociedade

Está disponível o novo número da Revista Religião & Sociedade!

O dossiê Religião, Espiritualidade e Ecologia reúne cinco artigos que discutem as mudanças no campo religioso e espiritual diante das emergências climáticas. Os textos abordam o papel das tradições religiosas como catalisadoras de novas éticas ambientais, a sustentabilidade nas práticas dos coletivos ayahuasqueiros, a ressignificação de resíduos rituais nas religiões de matriz africana e a presença de seres mais-que-humanos nas ruínas do capitalismo. Além disso, o dossiê reflete sobre a tímida adesão de lideranças evangélicas ao ambientalismo, investigando os fatores que limitam esse engajamento.

A edição também traz cinco artigos do fluxo contínuo que abordam temas diversos: a integração de imigrantes haitianos no Chile, o ativismo da Frente Parlamentar Evangélica na educação, o tabu da menstruação nas religiões afro-ameríndias, a crítica literária católica entre 1920-1950 e os vínculos evangélicos mediados por aplicativos de relacionamento.


ISER na mídia

O que explica a falta de diálogo da esquerda com os evangélicos? Para o diretor de programas do ISER Ronilso Pacheco “esse fenômeno tem vários fatores importantes, mas um deles, que não pode ser pensado como erro da eleição, é um erro longo histórico, de uma certa resistência, hostilidade e preconceito de uma parte significativa do campo progressista brasileiro, que é acadêmico e intelectual, com o lugar da religião, sua inserção na vida política e com os evangélicos em especial, mas com os pentecostais mais especialmente ainda”, afirma Pacheco em uma entrevista para o Brasil de Fato.
Leia a matéria completa!


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