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Direitos humanos para quem? Boletim #25 2024

Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2024

Olá, tudo bem?

Chegamos no último mês do ano e as retrospectivas começam a surgir. Ao olhar para trás, refletimos sobre os avanços e retrocessos do país e o trabalho realizado pelo ISER em prol de promover iniciativas que lutam por uma sociedade mais digna, com garantia de direitos. No dia 10 de dezembro foi celebrado o Dia Internacional dos Direitos Humanos e trazemos a reflexão: a pauta avança e/ou retrocede no Brasil?

Em tempos de desinformação, discurso de ódio e a banalização de pautas como justiça em vários aspectos e níveis, inclusive socioambiental, o comprometimento com a produção de conhecimento tem se tornado cada vez mais necessário. Há mais de 50 anos o ISER atua em pesquisas, formações, ativismo e articulações em diferentes eixos: religião & espaço público e direitos & sistema de justiça. E como essas áreas estão interligadas? Todas atuam na defesa de valores democráticos, justiça e direitos humanos.

Mas, afinal, como a violação dos direitos humanos impacta no cotidiano das pessoas?

Toda vez que uma família é destruída pela violência do Estado, direitos humanos estão sendo violados. Toda vez que alguém perde sua vida para as mudanças climáticas, direitos humanos estão sendo violados. Toda vez que alguém sofre intolerância religiosa, direitos humanos estão sendo violados. Essas práticas, infelizmente, fazem parte da rotina de muitos cidadãos. Dados do Disque 100 revelam que as denúncias por intolerância religiosa no primeiro semestre de 2024 cresceram 80% em comparação ao mesmo período de 2023. Segundo o Fogo Cruzado, nos últimos setes anos o Rio de Janeiro teve 283 chacinas, resultando em 1.137 civis mortos. De acordo com o Cemaden, em 2023 foram registradas 132 mortes associadas a eventos relacionados a chuvas, com 9.263 pessoas feridas ou enfermas e 74 mil desabrigados. 

Para o próximo ano, temos o desafio de pensar em articulações coletivas capazes de transformar esse cenário de violação que impacta diretamente na sociedade. Afinal, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 pelas Nações Unidas.


Caminhos climáticos no Brasil e no mundo

Analistas políticos, ativistas ambientais e religiosos diversos se encontram no Fé no Clima

Na sexta-feira 06/12, aconteceu o encontro com a rede Fé no Clima, na sede do ISER, no Rio de Janeiro. O evento, que aconteceu de forma híbrida, reuniu mais de 70 pessoas, entre elas diversas lideranças religiosas de diferentes crenças que fazem parte da construção da iniciativa Fé no Clima. 

O encontro acontece anualmente com o intuito de ter uma troca qualificada para partilhar os resultados das ações realizadas durante o ano e pensar de forma coletiva as estratégias para 2025. Durante o evento, foram compartilhados os resultados da COP 16 da Biodiversidade, que aconteceu em Cali, na Colômbia, e da COP 29 do Clima, realizada em Baku, no Azerbeijão. Além de pensarem quais serão os próximos passos para a COP 30, que acontecerá pela primeira vez no Brasil, em Belém – PA. 


Narrativas e reparação: diálogo sobre justiça racial

No dia 26/11, o ISER participou de um encontro com o co-fundador e diretor executivo do BLIS Trevor Smith, no Centro Cultural de Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro. Durante o diálogo, temas como reparação histórica, políticas públicas e suas conexões com religião e territórios foram abordados. O ISER foi representado por Lucas Matos e Késsia Gomes, da área de Direitos & Sistema de Justiça.

Por meio da equipe dessa área, o ISER atua nas lutas pela redução das diferentes formas de violência de Estado através da produção de conhecimento, formação jurídico-política, incidência e assessoria popular. Por isso, é fundamental estar nesses espaços para pensar estratégias coletivas que promovam políticas desencarceradoras. 


Em 2024, o ISER seguiu comprometido com as mais variadas dimensões dos direitos humanos

Como o direito à Memória, Verdade e Justiça frente às violências de Estado, através da atuação no Caso Favela Nova Brasília, que completou 30 anos, e com a formação jurídico-política do terceiro ciclo do Guerreiras pelo Desencarceramento, que reuniu familiares de adolescentes internados no sistema socioeducativo e sobreviventes da internação. Assim como esteve comprometido com o meio ambiente e o enfrentamento às mudanças climáticas, produzindo conhecimento como a pesquisa Cristianismo e Narrativas Climáticas, que traz dados inéditos sobre como grupos cristãos interpretam debates em relação ao meio ambiente. Também foi realizada  mais uma formação do Boto Fé no Clima com jovens de todo o Brasil para pensar formas de levar a ação climática para suas comunidades de fé.

O ISER também promoveu iniciativas em prol da democracia e direitos como o projeto Fé no Poder que vem das Bases, que conecta lideranças cristãs para o compromisso com a diversidade religiosa, a defesa de direitos, promoção de cidadania e da democracia. De igual forma seguiu ativo na produção de conhecimento, como se evidencia, por exemplo, na plataforma Religião e Poder, que disponibiliza pesquisas, dados abertos e artigos sobre a interface da política institucional com religião. 

O ISER completou 54 anos marcados pelo compartilhamento de saberes e conectando pessoas através de articulações com a sociedade civil, juventudes, lideranças religiosas e laicas, movimentos populares e coletivos, mídias diversas, poderes públicos e mais. Acreditamos que quando o conhecimento é partilhado ele se multiplica e assim é possível construir essa casa de muitas janelas, onde religiões, democracia e direitos se encontram.

Para o próximo ano, convidamos você a se juntar conosco nessa luta coletiva por uma sociedade que respeite os direitos humanos, bem como a liberdade religiosa e o meio ambiente e acolha as diversidades.

Agradecemos por fazer parte do nosso 2024. Seguimos juntos! 


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