Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Olá!
Como a religião, ou a ausência dela, molda a vida dos brasileiros?

Este questionamento tem atravessado décadas de reflexão, pesquisas e produção de conhecimento no Instituto de Estudos da Religião (ISER). Há 56 anos, o ISER se pauta pela percepção de que a religião é um fator fundamental de mudança social e uma variável indispensável para compreender a sociedade e a política brasileira.
Com anos de estudos, reflexões, encontros entre diferentes gerações e respeito pela produção de conhecimento, o ISER lança ao mundo a mais abrangente pesquisa sobre as religiões no país. Em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, o ISER idealizou e coordenou a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil.
A pesquisa produziu entrevistas presenciais, de forma domiciliar, com 15 mil pessoas, com idade a partir de 16 anos, em 412 municípios de todas as regiões do Brasil. Religião e Vida Pública no Brasil traz um mapeamento detalhado sobre como a fé e as mudanças no pertencimento religioso se entrelaçam com valores morais e a política na sociedade brasileira contemporânea. A pesquisa inédita foi desenhada para desvelar as práticas cotidianas, a transmissão da fé entre gerações, o consumo cultural e o nível de influência da religião no comportamento cívico e eleitoral dos brasileiros.
O que os dados revelam, afinal?
Os dados mostram um Brasil em profunda transformação demográfica e cultural, na qual o peso da religião opera de forma viva, com muitas brechas e contradições. A pesquisa comprova que o pertencimento religioso não atua como um bloco monolítico sobre as escolhas do cidadão. Novos cruzamentos indicam que variáveis como raça, gênero, escolaridade, renda e região frequentemente moldam ou até alteram o comportamento e a visão de mundo das pessoas de fé mais do que a própria filiação religiosa.
Qual o perfil religioso do brasileiro? O Brasil permanece majoritariamente católico: 50% da população se identifica com a religião, enquanto os evangélicos somam 29% e as pessoas sem religião, 14%. Mas a desagregação modifica a leitura desses blocos. Os católicos dividem-se entre praticantes (31%) e não praticantes (19%). No campo evangélico, os pentecostais são 21% da população, os protestantes, 5%, e os evangélicos sem igreja, 3%. Religiões afro-brasileiras reúnem 3% e espíritas, 2%.
Quem frequenta espaços religiosos? Um total de 67% dos evangélicos participam de cultos e outras atividades religiosas ao menos uma vez por semana. A frequência semanal ou maior chega a 40% entre católicos e a 39% entre adeptos das religiões afro-brasileiras. No entanto, a religião circula para além dos espaços de culto. Para 73% dos brasileiros, a Bíblia ou seus versículos são fonte de ensinamentos para a vida, prática que alcança inclusive pessoas fora das tradições cristãs.
Conservador em quê? 54% dos brasileiros se autodeclaram conservadores, enquanto 24% se autodeclaram progressistas. Mas os dados complexificam o debate ao revelar que 78% dos brasileiros apoiam a proteção aos povos indígenas; 75% dos brasileiros apoiam o Bolsa Família; 66% apoiam a taxação dos mais ricos; e 65% apoiam cotas para pessoas negras nas universidades públicas.
Religião e Vida Pública organiza um conjunto de fotografias embaralhadas sobre a religiosidade dos brasileiros. A pesquisa identifica trajetórias: de onde as pessoas vieram a partir da experiência religiosa, para onde foram, o trânsito religioso e como esse movimento se relaciona com raça, renda, gênero, escolaridade e posicionamento político.
Ao longo dos próximos meses, o ISER seguirá disponibilizando em seus canais dados da pesquisa que ajudam a compreender, ou complexificar, a relação entre religião, política e cotidiano na sociedade brasileira.
Acesse aqui os dados gerais da pesquisa!
Primeiros destaques na imprensa:
‘Fiel da balança’: jovens, negros e região Norte são os que mais se convertem à religião evangélica – O Globo
Brasil cristão que crê em espíritos e reencarnação – Folha de S. Paulo
Seguimos juntos fortalecendo o debate público e a produção de conhecimento!
Um abraço,
Ana Carolina Evangelista
Lívia Reis
Coordenadoras da pesquisa
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