Na segunda-feira (28/10), o ISER realizou o encontro “Fortalecendo o campo evangélico democrático” com oito projetos do campo religioso cristão, no Rio de Janeiro. O encontro marcou oencerramento do segundo ciclo do projeto que incubou iniciativas protestantes comprometidas com direitos. O objetivo do evento foi compartilhar desafios, ouvir os impactos e resultados das iniciativas desta edição, bem como pensar horizontes comuns para próximas ações conjuntas. Estiveram presentes representantes dos movimentos Nós na Criação; Novas Narrativas Evangélicas; Esperançar; Movimento Negro Evangélico; Coletivo Bereia; Baixada Lab; Renovar Nosso Mundo e Papo de Crente. Desde 2022, o ISER tem trabalhado para fortalecer iniciativas do campo religioso que promovam os direitos humanos e a democracia, promovendo encontros, formações e apoio administrativo para pequenas iniciativas.
O Diretor de Programas Ronilso Pacheco iniciou a apresentação trazendo um panorama sobre a iniciativa do ISER em entender a religião como fator transversal para compreender o Brasil. De acordo com Ronilso, essa percepção traz contribuições não somente para o campo evangélico. “É possível fazer uma transformação na sociedade civil a partir desse campo e dessa iniciativa, pensando em uma sociedade não só restrita ao campo religioso e evangélico, mas de maneira geral”, destaca.
Durante o encontro, os representantes dos projetos compartilharam os resultados, aprendizados e desafios ao longo do último ano. Para Nilza Valéria, representante do programa de rádio Papo de Crente, é um desafio nacional fazer com que as pessoas entendam o que é um processo democrático. “A gente percebe o quanto ainda precisamos dar sentido à democracia. Por mais que a gente avance nos meios de comunicação, conceda entrevistas e fale, ainda precisamos achar um caminho para que o campo progressista brasileiro olhe para os evangélicos como eles são: seres humanos e cidadãos. Ninguém é só evangélico”, enfatiza. Representando a Open Society Foundation, Sylvia Siqueira destaca a importância das iniciativas do campo religioso democrático. “Mais do que uma disputa de narrativa, vocês abriram espaço para olhar para essa população de outra maneira. Hoje eu vejo veículos de comunicação falando sobre o campo evangélico de uma outra forma”, pondera.
Um dos objetivos do projeto Fortalecendo o Campo Evangélico Democrático é a disputa de narrativa sobre religião e grupos religiosos. É possível perceber que a dificuldade de dialogar com diferentes grupos é um objetivo e desafio comum entre as iniciativas. Matheus Machado, diretor do Novas Narrativas Evangélicas, apresentou algumas estratégias que o seu grupo tem adquirido com a finalidade de utilizar a comunicação para “furar a bolha”, entre elas o #DízimodoNovas, um pack de memes compartilhado toda sexta-feira nas redes do Novas Narrativas Evangélicas. “Queríamos trazer 10 memes semanais na tentativa de circular outros conteúdos que conversassem com a juventude e percebemos que o humor circula entre os jovens. Não é só sobre colocar um meme no ar, tem uma estratégia. No final, tem um convite para um conteúdo que estamos fazendo, ele carrega um anúncio importante junto com humor. Estamos fomentando novas narrativas”, explica.
Além dos desafios, os representantes compartilharam a importância de ter o apoio do ISER e esse espaço para diálogo. Jackson Augusto, coordenador do Movimento Negro Evangélico, conta que o ISER teve um papel fundamental para fortalecimento do movimento. “Não só dialogar com a nossa atuação no campo, mas o ISER foi essencial para entender como a gente avança. Foi muito importante ter a estrutura do ISER e uma parceria que já tivesse esses fluxos administrativos estabelecidos”, afirma.
A iniciativa Fortalecendo o Campo Evangélico Democrático é uma parceria entre o ISER e a Open Society Foundation (OSF) e tem como objetivo conectar a religião como forma de expressão de direitos humanos e justiça social; localizar, compreender e explicitar projetos de poder que ameaçam a democracia. Com diálogo e combate à desinformação, os projetos seguem com o compromisso de enfrentar cenários de radicalização e construir novos horizontes onde os direitos humanos e a democracia sejam fortalecidos.

