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Inscrições abertas para a formação Axé-Amém 2026

AXÉ-AMÉM é uma formação político-pedagógica presencial oferecida pelo ISER – Instituto de Estudos da Religião, que promove o diálogo e o encontro entre pessoas negras evangélicas e/ou de terreiro, apostando na possibilidade de convivência, cooperação e construção de estratégias coletivas para o enfrentamento do racismo religioso no Brasil.

A iniciativa parte do reconhecimento de que o racismo religioso afeta de forma direta e cotidiana as populações negras, especialmente nos territórios populares e no espaço educacional, e que o diálogo entre diferentes pertenças religiosas pode produzir respostas concretas de cuidado, proteção e incidência social. Em vez de reforçar divisões e conflitos, o AXÉ-AMÉM aposta no encontro, na escuta qualificada e no aprendizado mútuo, visando o bem comum.

Em 2026, a formação será realizada integralmente no Rio de Janeiro, na sede do ISER, com duas turmas presenciais, selecionadas a partir de um único processo seletivo:

  • Turma 1 – Geral
  • Turma 2 – Exclusiva para educadoras(es)

Quem pode participar?

Podem se inscrever:

  • Pessoas negras (pretas e pardas), a partir de 18 anos;
  • Pessoas que se identifiquem como evangélicas e/ou de terreiro;
  • Pessoas que acreditem na possibilidade de diálogo e cooperação entre evangélicos e povos de terreiro;
  • Para a Turma 2, é necessário atuar como educadora(or) em espaços formais ou não formais de educação;
  • Pessoas com disponibilidade para participação presencial nos encontros aos sábados (calendário provisório abaixo).

⚠️ Pessoas que já participaram de edições anteriores do AXÉ-AMÉM NÃO poderão se reinscrever, mas poderão participar das aulas públicas e percursos históricos realizados ao longo da formação, vamos fazer um convite específico com a proximidade das datas. 

Como serão os encontros da formação?

A formação será realizada de forma presencial, na sede do ISER, no Centro do Rio de Janeiro, e está estruturada em 3 eixos temáticos, com cerca de 2 encontros mensais, ao longo de 3 meses por turma, totalizando 6 encontros presenciais por turma.

Processo seletivo

  • Lançamento do edital: 09 de março de 2026
  • Período de inscrições: 10 a 22 de março de 2026
  • Curadoria e entrevistas: 23 a 31 de março de 2026
  • Divulgação do resultado: até 03 de abril de 2026

Serão selecionadas cerca de 60 pessoas no total, sendo aproximadamente 30 participantes por turma.

Cronograma da formação*

(importante conferir sua disponibilidade antes de se inscrever):

🔹 Turma 1 – AXÉ-AMÉM (GERAL)

📍 ISER – Rio de Janeiro

  • 11 e 25 de abril de 2026
  • 16 e 30 de maio de 2026
  • 13 e 27 de junho de 2026

🔹 Turma 2 – AXÉ-AMÉM (EDUCADORAS/ES)

📍 ISER – Rio de Janeiro

  • 18 de julho de 2026
  • 01, 15 e 29 de agosto de 2026
  • 12 e 19 de setembro de 2026

*Essas datas podem sofrer alterações, que serão avisadas com o máximo de antecedência 

Ficou interessado(a/e)?

As inscrições serão realizadas por formulário online: https://forms.gle/Bis1R3eN6MCo74KL9 

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail:
📧 axeamem@iser.org.br


1. Qual o sentido desse projeto?

O projeto Axé-Amém nasce do desejo de construir pontes possíveis entre pessoas negras evangélicas e pessoas negras de terreiro. Trata-se de uma formação político-pedagógica que busca estimular a abertura de caminhos, deslocar sentidos cristalizados e criar possibilidades reais de cooperação no enfrentamento ao racismo religioso direcionado ao povo de terreiro, bem como das expressões de racismo que também atingem pessoas negras evangélicas.

O projeto se constitui como um espaço de troca, escuta e aprendizado mútuo. Um espaço que pretende contribuir para formas mais conscientes de convivência entre pessoas evangélicas e o povo de terreiro, inspirando mudanças significativas nas formas como nos percebemos e nos relacionamos.

2. Como funcionam os encontros?

Partimos da encruzilhada como método pedagógico: um lugar simbólico de encontro entre caminhos distintos, onde divergências, tensões e histórias diferentes podem ser reconhecidas e elaboradas criticamente. Nesse sentido, o Axé-Amém aposta na possibilidade de encontro e cooperação em torno do bem comum, sem negar os conflitos existentes, mas lidando com eles de forma ética, política e respeitosa.

3. Por que a formação é voltada para pessoas negras?

Um aspecto fundamental para compreender o sentido do projeto é reconhecer a dimensão racial do fenômeno religioso no Brasil. Pesquisas recentes sobre os dados do Censo 2022 mostram que o crescimento das igrejas evangélicas nas últimas décadas ocorreu majoritariamente entre a população negra. Ou seja, quando falamos hoje de evangélicos no Brasil, estamos falando, em grande medida, de um público majoritariamente negro, especialmente preto e pardo.

Ignorar essa dimensão racial ao discutir violência religiosa significa perder de vista uma parte central do problema. Isso porque muitas pessoas negras evangélicas também vivem tensões profundas entre sua identidade racial e discursos religiosos que demonizam tradições de matriz africana. Essas tensões não surgem do nada: elas são resultado de um longo processo histórico de colonização, apagamento cultural e negação das heranças africanas.

Por isso, o Axé-Amém parte de uma premissa importante: não existe enfrentamento consistente ao racismo religioso sem diálogo dentro do próprio povo negro. Nesse sentido, defendemos que a interlocução e a coexistência entre pessoas negras evangélicas e de terreiro podem constituir um caminho importante no enfrentamento ao racismo religioso e na construção de novos horizontes de convivência.

4. Não acreditam que essa iniciativa desmobiliza o enfrentamento às violências promovidas por setores fundamentalistas?

Essa é uma preocupação que aparece com alguma frequência, e ela parte de um diagnóstico importante: de fato, há setores do campo evangélico que historicamente promovem ataques sistemáticos às religiões de matriz africana. No entanto, o Axé-Amém não ignora essa realidade — ele parte exatamente dela.

A formação não tem como objetivo suavizar ou apagar os conflitos existentes. Pelo contrário, ela cria um espaço onde essas tensões podem ser nomeadas, analisadas e enfrentadas politicamente, a partir de uma perspectiva racial.

Um ponto central para compreender essa proposta é reconhecer que a maior parte da população negra brasileira hoje se encontra em igrejas evangélicas. Portanto, tratar “os evangélicos” como um bloco homogêneo de ignorância ou violência significa, muitas vezes, produzir uma leitura simplificada — e profundamente equivocada — sobre o próprio povo negro.

Se afirmamos que não devemos dialogar com evangélicos, precisamos reconhecer o que isso implica: estamos dizendo, na prática, que não devemos dialogar com uma parte significativa do próprio povo negro, hoje, no Brasil.

O Axé-Amém parte de uma perspectiva diferente. O projeto não dialoga com as grandes lideranças midiáticas — em sua maioria brancas, masculinas e vinculadas a projetos de poder econômico e político que frequentemente reforçam discursos de intolerância religiosa.O projeto dialoga com a base social das igrejas, formada majoritariamente por pessoas negras, muitas delas moradoras de periferias, favelas e territórios populares. Na primeira edição da formação, por exemplo, tivemos uma presença significativa de pessoas da Zona Oeste do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. São pessoas que convivem nos mesmos territórios que os terreiros, que muitas vezes carregam desconfortos ou preconceitos em relação às tradições de matriz africana — não porque sejam ignorantes ou violentas por natureza, mas porque foram historicamente afastadas do conhecimento sobre suas próprias heranças culturais.