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ISER no G20 Social: Comunidades de Fé no enfrentamento da crise climática

Na última quinta-feira (14/11), o ISER realizou o painel “Comunidades de Fé no enfrentamento da crise climática”, no G20 Social, reunindo lideranças religiosas e pesquisadores para diálogos sobre a questão socioambiental em interface com as religiões. O evento aconteceu no Armazém 3, na Praça Mauá, e faz parte da programação oficial da Cúpula Social do G20. No mesmo dia, o ISER participou do painel ‘Combatendo fome, pobreza e desigualdades’, promovido pelo Fórum Inter-religioso do G20 (IF20), representado pela pesquisadora Caroline Rocha.

O painel promovido pelo ISER no G20 Social teve o intuito de promover um diálogo inter-religioso sobre a responsabilidade ética e moral com o meio ambiente, evidenciando ações que líderes e comunidades religiosas podem implementar em suas comunidades para fortalecer a justiça socioambiental. A mesa foi composta por diversas lideranças religiosas e autoridades na pauta climática: Mãe Nilce de Iansã, matriarca do Ilê Omolu Oxum e coordenadora nacional da Renafro, Lourdes Brazil, economista e diretora do Centro Gênesis, Aava Santiago, cientista social, evangélica pela laicidade e vereadora em Goiânia, Marize Guarani, professora e presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã, Padre Gegê, pároco da Paróquia Santa Bernadete e Igreja São Daniel Profeta e ativista da Comissão de Combate à Intolerância Religioso do Rio de Janeiro, Julia Rossi, doutora em Geografia e coordenadora do GreenFaith no Brasil, e teve a mediação do sociólogo e diretor adjunto do ISER Clemir Fernandes.

Um dos objetivos da realização do painel foi construir um entendimento comum sobre a importância da colaboração entre diferentes tradições religiosas para enfrentar desafios globais e incentivar uma mobilização social ampla e inclusiva em favor da justiça climática.

O Diretor Executivo Adjunto do ISER Clemir Fernandes iniciou o painel reforçando a relevância desse espaço junto com diferentes comunidades religiosas, destacando que a pauta climática não tinha esse reconhecimento há 15 anos. “O ISER acredita nessa agenda, por isso mobiliza e dialoga para que a gente possa produzir impacto, fortalecer políticas públicas e incidir para que os governos assumam suas responsabilidades em relação à crise climática. Ter comunidades religiosas incidindo nesse tema é fundamental”, ressalta.

Os painelistas também enfatizaram a importância das lideranças religiosas trabalharem a conscientização sobre o meio ambiente em suas comunidades de fé, além de introduzir como a crise climática afeta o cotidiano das famílias. A Diretora do Centro Gênesis Lourdes Brazil trouxe a provocação de que as pessoas mais afetadas pela mudança climática não têm acesso a discussões sobre essa temática. “Quando conversei com algumas mulheres de comunidades, elas não sabiam o que era crise climática, mas todas sabiam que estava fazendo mais calor, as chuvas estão mais intensas e estão tendo seus rendimentos comprometidos devido à compra de novos utensílios e consertos de suas casas. Alteração climática é uma responsabilidade governamental, mas não pode ser só discutida nas grandes conferências, que cada vez acontece em um país e depois a gente só fica sabendo de algum acordo”, reitera.

Os terreiros e comunidades de matriz africana também são fundamentais para fortalecer a justiça ambiental. Durante sua participação, Mãe Nilce de Iansã compartilha como o seu terreiro vem atuando para promover a pauta climática. “Para quem não conhece, o terreiro é um espaço de promoção à saúde e acolhimento. Nós cultuamos orixá e é importante reforçar que orixá é natureza, é o ar, a terra, mar e o vento. Se a gente não preservar isso, a gente não vive. Assim como fazemos oficinas de culinária, também temos oficinas de conscientização sobre a preservação da natureza porque isso nos foi ensinado sobre a ancestralidade”, afirma.

“O que é progresso?” Esse foi o questionamento que guiou o discurso da ativista indígena Marize Guarani durante o painel. A presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã também reforça que povos originários estão há anos avisando sobre esse cenário de crise, mas enfrentam discriminação e silenciamento. “A gente vê o planeta como a nossa mãe, um ser inteligente que reage e está reagindo. Precisamos que vocês nos escutem, falamos com vocês há 524 anos e mesmo assim nos invisibilizam e matam nossos corpos. Essas questões precisam estar dentro das câmaras, governos, comunidades religiosas e universidades. A gente precisa de todo mundo. Quem serão os mais atingidos por toda essa emergência climática? Que pra mim deveria ser mencionado como falta de respeito com a nossa mãe terra”, questiona.

O G20 Social é uma inovação instituída pelo atual governo brasileiro, que teve como lema ‘Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável’. O evento reuniu sociedade civil, movimentos sociais e populares para ampliar a participação de atores não-governamentais nas atividades da conferência. Participar desses espaços reforça o compromisso do ISER em promover diálogo em prol de iniciativas que lutam por uma sociedade mais justa.