Encontro promove diálogo entre pessoas negras de diferentes pertenças
O Instituto de Estudos da Religião (ISER) iniciou a formação Axé-Amém: conectando pessoas evangélicas e de terreiro através das experiências de cooperação e fé, no mês de maio. A formação promove o diálogo e o encontro entre pessoas negras evangélicas e de terreiro, buscando superar hostilidades e construir um futuro mais inclusivo, onde as diferenças não sejam um entrave frente às possibilidades de cooperação. Em vez de reforçar divisões e conflitos, a iniciativa aposta no encontro e no aprendizado mútuo, visando o bem comum.
O encontro aconteceu por seis sábados na sede do ISER, no Rio de Janeiro, e reuniu cerca de 27 pessoas. Durante os encontros, foram promovidos debates e reflexões para construir estratégias que visam resistir ao racismo religioso e compartilhadas experiências coletivas das trajetórias de suas comunidades de fé e sua importância frente a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa. Os encontros tiveram a mediação de pessoas evangélicas e de terreiro, que também são pesquisadoras, professoras e/ou lideranças comunitárias/religiosas, produtoras de saberes que atravessam os interesses destacados.
Com o objetivo de refletir sobre os marcos da presença africana e afrodescendente na formação urbana, política e religiosa do Rio de Janeiro, com ênfase no cotidiano, resistência e espiritualidade negra, os integrantes da formação realizaram visitas por lugares históricos para o Presbiterianismo e para as religiões de Matriz Africana, no Centro do Rio de Janeiro. As visitas aconteceram nos dias 28 de junho e 05 de julho e passaram por lugares como Cais do Valongo, Igreja do Rosário dos Pretos, Arco do Teles, Igreja Lapa dos Mercadores, Cemitério dos Ingleses, Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, Pequena Londres Carioca e Ilha de Villegagnon.
Para a pesquisadora do ISER e uma das idealizadoras do Axé-Amém Carolina Rocha, é inegável a contribuição dos povos de matriz africana e grupos evangélicos comprometidos com a democracia para a construção do Brasil. “A despeito de toda violência, esses grupos seguem na atuação efetiva de políticas, conhecimentos, saberes e tecnologias que favorecem a todas as pessoas no país. Não há democracia plena enquanto não houver o direito de existir para todas as pessoas”, pondera.
A formação Axé-Amém defende a possibilidade de interlocução, diálogo e cooperação entre pessoas negras, de diferentes pertenças, mas historicamente vulneráveis no Brasil.

