Apenas o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima recebeu as lideranças religiosas. A Carta foi protocolada em outros órgãos, como o Ministério de Minas e Energia, Casa Civil, Gabinete da Presidência e Ministério dos Povos Indígenas, mas sem resposta até o momento.
Confira o texto completo da carta
Brasília, 5 de setembro – Lideranças religiosas do Brasil, representando diversas tradições espirituais, uniram-se para lançar uma Carta Aberta, dirigida ao Governo Federal, pedindo ações urgentes e mais contundentes para enfrentar a crise climática e ambiental no país. O documento, assinado por representantes da Igreja Católica, comunidades evangélicas, terreiros de matriz africana e outros grupos religiosos, destaca a necessidade de uma abordagem mais sustentável na gestão dos recursos naturais e o fim imediato do desmatamento em biomas fundamentais como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica.
A Carta foi protocolada no Gabinete da Presidência da República, Ministério da Casa Civil, Mistério de Minas Energia, Ministério dos Povos Indígenas e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. As lideranças religiosas pediram audiência com cada um dos ministérios, porém, somente o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima recebeu as lideranças.
De acordo com a carta, “o aumento das queimadas e incêndios florestais na Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica está destruindo nossa biodiversidade, degradando solos e recursos hídricos, agravando a crise climática global, corroendo nossa economia e provocando doenças e sofrimento na população.”
As lideranças religiosas reconhecem o esforço recente do governo em reduzir o desmatamento na Amazônia, mas enfatizam que as políticas atuais ainda são insuficientes diante da magnitude da crise. “A situação ambiental do país continua extremamente preocupante e requer uma maior mobilização de todos os setores estratégicos do governo”, destacam.
Um dos pontos críticos abordados no documento é a necessidade de interromper a exploração de petróleo e gás em novas áreas. Segundo a carta, “Atualmente, há 873 blocos de petróleo e gás em concessão no país. Essa exploração pode dobrar com 769 novos blocos atualmente em oferta.” As lideranças religiosas pedem a interrupção imediata dessas concessões e que os investimentos sejam redirecionados para energias renováveis, em alinhamento com os compromissos internacionais de mitigação climática.
Outro aspecto fundamental da carta é a importância de proteger os povos indígenas e as comunidades tradicionais, que são vistos como guardiões essenciais da biodiversidade. A carta defende a “demarcação de Terras Indígenas, titularização de Territórios Tradicionais e a suspensão de operações minerais em terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação de proteção integral.”
Por fim, a carta conclama o governo a tomar medidas concretas para que o Brasil possa cumprir seu papel de liderança global na defesa do meio ambiente. “É inaceitável que o Brasil, um país abençoado com a maior biodiversidade do planeta e com tal protagonismo internacional, continue a contribuir para o agravamento das mudanças climáticas e a destruição de seus ecossistemas mais preciosos.”
A mobilização inter-religiosa destaca a dimensão espiritual do cuidado com a natureza, afirmando que “a proteção da natureza não é apenas uma questão ambiental, mas um dever espiritual e moral.”
O documento está assinado por líderes religiosos de todo o Brasil, como a Pastora Andrea Alechandre (Igreja do Evangelho Quadrangular, Rio Branco/Acre), Dom Roque Paloschi (Arquidiocese de Porto Velho/Rondônia), Mãe Jô Santos (Terreiro de São Jorge Tumajamacê, Maranhão), entre outros.
Assinam a Carta:
- Pastora Andrea Alechandre (Igreja do Evangelho Quadrangular) – Rio Branco/Acre
- Dom Roque Paloschi (Arquidiocese de Porto Velho) – Porto Velho/Rondônia
- Maria da Rocha (Guardiões do Bem Viver) – Lago Grande, Santarém/Pará
- Mãe Jô Santos (Terreiro de São Jorge Tumajamacê) – São Luís/Maranhão
- Rayana Burgos (Rede Terreiros pelo Meio Ambiente) – Recife/Pernambuco
- Ir Maria Irene Lopes (Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM)
- Pastora Romi Bencke (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC)
- Mametu Nangetu (Terreiro Manso Massumbando Quem Quem Neta)
- Denildo Rodrigues de Moraes (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ)

