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“O passado não está morto, nem passado é ainda” – 60 anos do golpe militar | Boletim #07 2024

Quinta-feira, 04 de Abril de 2024

Olá! Tudo bem? 

Esta semana tem um marco muito importante para o Brasil e nosso trabalho, a ‘descomemoração’ dos 60 anos da ditadura militar, que praticou inúmeros crimes. No dia 5 de abril acontecerá, no Centro do Rio, duas atividades  que recordarão a resistência religiosa nesse período. Esses eventos  serão abertos ao público, sendo um na Cinelândia e outro no Centro Cultural da Justiça Federal. O ISER está junto com outras organizações não governamentais e coletivos neste esforço de memória, verdade e justiça

📩 Você vai ver também neste boletim: Duas novas publicações, sendo a 1) Cartografia dos Catolicismos Jurídicos Antigênero e o 2) Relatório de monitoramento dos temas mais abordados nos projetos de lei apresentados pelos deputados federais em 2023. Além disso temos nesta edição anova formação do Boto Fé no Clima e convocatória para participar da Rede Fé no Clima. 


“O passado não está morto, nem passado é ainda”

Em 1º de abril de 1964 o Golpe Militar, com suporte do grande capital nacional e internacional, além de grupos religiosos, derrotou a democracia e mergulhou o Brasil num período autoritário por 21 anos. Cassações de mandatos legítimos, tanto no Legislativo quanto no Executivo, prisões arbitrárias, censura, desaparecimento de pessoas, perseguições racistas, sequestros, torturas, estupros, assassinatos são algumas das ações aterrorizantes do regime militar. Cinco anos após o fim da Ditadura e reconstrução da democracia, entidades de direitos humanos, pesquisadores e analistas já tinham avaliações consolidadas de que o passado não estava morto nem era passado, mas que práticas abomináveis e criminosas do regime militar se mantinham nas estruturas institucionais do estado brasileiro. 

Passados 60 anos do início da Ditadura, dados diversos mostram que o país segue, por meio de aparelhos de estado, torturando e matando pessoas, sobretudo população negra, além de viver sob o fantasma da ameaça militar no espaço civil. 

O ISER se estabeleceu em 1970, em plena Ditadura, para estudar o país pelo viés da religião em prol da defesa de direitos humanos e sociais, a partir da produção qualificada de conhecimento. E assim segue até agora, enfrentando os desafios deste tempo pela defesa e garantia da democracia e de direitos.

Dentre tantas produções sobre isso, destacamos as publicações https://iser.org.br/publicacao/68/, https://iser.org.br/publicacao/as-recomendacoes-da-comissao-nacional-da-verdade/

Ao longo dos anos temos afirmado essa memória da resistência à Ditadura, enfatizando a atuação de grupos religiosos distintos, como judaicos, matriz africana, cristãos. Neste ano o ISER apoia o evento de grupos evangélicos e católicos em diálogo com grupos africanos e indígenas. 

Neste dia 5 de abril, acontecerá, na Cinelândia, no Centro do Rio, um ato público que recordará a resistência religiosa nos 60 anos do golpe militar no Brasil. O ato, aberto ao público, é promovido por onze organizações não governamentais e coletivos.

No programa ocorrerá uma concentração com ato simbólico, nas escadarias da Câmara de Vereadores (Praça Floriano, Centro), às 17h30, seguida de caminhada para a Sala de Sessões do Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF, sede do antigo Supremo Tribunal Federal, quando a cidade era a capital do país), onde serão realizados os debates, às 19h. Se possível, participe conosco.

 


Cartografia dos Catolicismos Jurídicos Antigênero

Aborto, tributação econômica, política trabalhista e agronegócio têm sido temáticas fundamentais para organizações católicas conservadoras que atuam no âmbito jurídico. É o que revela a pesquisa “Cartografia dos Catolicismos Jurídicos Antigênero”, produzida pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER). Ao observar a dinâmica que envolve os grupos religiosos no cenário sociopolítico, o ISER criou o Grupo de Trabalho em Catolicismos e Conservadorismos e reuniu especialistas de campos disciplinares e teóricos diversos, mas convergentes no interesse em complexificar a discussão sobre a relevância das ações de atores católicos para o endurecimento conservador no Brasil.


Quais foram os temas mais abordados nos projetos de lei apresentados pelos deputados federais em 2023?

A equipe do Iser monitora mensalmente os projetos de lei apresentados na Câmara e no ano 2023 foram identificadas pautas que dominaram o debate político como Educação, Segurança Pública e Direitos das mulheres.

Segundo o monitoramento, é comum o Legislativo apresentar projetos em resposta a discussões em curso no Judiciário, como também pautas que dominam o debate público e as redes sociais. 


Encontro da Rede Fé no Clima

Na  segunda-feira 25/03, a Iniciativa Fé no Clima promoveu um encontro online com a Rede de Juventudes FnC. Um dos motivos do encontro foi à atualização acerca dos próximos passos da iniciativa para  2024. 

Com a presença de jovens de todo o Brasil, o Fé no Clima anunciou a abertura das inscrições para a 1° turma do Boto Fé no Clima: adaptação climática e a previsão da realização de outras duas formações ainda este ano: o Boto Fé no Clima: juventudes e ação climática, e o Boto Fé no Clima: preparação à COP29. As informações sobre a formação se encontram abaixo. 

No calendário de atividades do Fé no Clima, estão a incidência em dois grandes eventos da agenda de Clima: a reunião do  G20, no final deste ano e a COP30, em 2025. Com inspiração na grande “Vigília pela Terra”, promovida pelo ISER durante a Rio-92, a Iniciativa aproveitou o encontro para reforçar o convite à participação da Rede na construção de uma Nova Grande Vigília pela Terra, no ano que vem, em Belém, durante a COP 30. Além disso, o Fé no Clima também tem dialogado com sua rede de lideranças e organizações parceiras a realização de vigílias descentralizadas em preparação à vigília principal. 


Iser na mídia

Jornais de todo o país noticiaram a queda da popularidade de Lula entre os evangélicos, mas essa simplificação oculta o papel das igrejas históricas no alinhamento com a extrema direita. Além disso, não considera questões de raça, renda e gênero. Confira o texto de Lívia Reis e Magali Cunha, do ISER, para o The Intercept Brasil.
 


Faça parte da Rede Fé no Clima!

O enfrentamento à crise climática é também uma pauta das comunidades de fé e os eventos climáticos extremos têm nos mostrado que não temos tempo a perder.

Se você quer agir, mas ainda não sabe como: junte-se a nós! Vamos erguer nossas vozes, mobilizar nossas comunidades e aproveitar espaços como G20 e a COP30 para cobrar soluções efetivas para crise climática. 


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