Sexta-feira, 23 de Maio de 2025
Olá! Como vai?
Nas últimas semanas o mundo voltou sua atenção para uma sequência de acontecimentos envolvendo o Vaticano: morte do Papa Francisco, Conclave e eleição do novo Papa. Toda essa mobilização do debate público revela o impacto do catolicismo na sociedade. Aqui no ISER, estamos sempre tentando entender as nuances dos catolicismos e sua influência na política, nas mais diversas esferas.
A plataforma Religião e Poder destacou diferentes conteúdos que trazem análises para entender melhor esse cenário. Separamos aqui alguns textos que podem ajudar a entender melhor as nuances do debate sobre catolicismos no Brasil e no mundo.
Boa leitura!
Habemus Papam! Sobre como se constitui o governo do Vaticano
A eleição do Papa e o sistema político do Vaticano representam um caso singular que integra elementos políticos, religiosos, organizacionais e simbólicos em uma estrutura de governo única no mundo contemporâneo. Como monarquia teocrática eletiva e vitalícia, o Vaticano combina estabilidade institucional com capacidade de adaptação, mantendo tradições milenares enquanto ajusta regras e práticas às exigências da modernidade. O conclave, com sua exigência de supermaioria e segredo absoluto, traduz a busca por consenso em uma comunidade de fé global e hierárquica.
Esse modelo, sem paralelos exatos entre os sistemas de governo atualmente existentes, mostra como poder espiritual e a política podem coexistir. Estudar o conclave e o papado é avaliar como instituições pré-modernas continuam, de certa forma, relevantes, oferecendo uma perspectiva rica para análises interdisciplinares sobre autoridade, legitimidade e governança no mundo atual.
O Opus Dei é uma “Prelazia Pessoal”, isto é, uma instituição sem um espaço geográfico delimitado, como uma diocese, que povoa os imaginários popular e acadêmico como uma instituição poderosa e ultraconservadora que opera no interior da Igreja Católica. O Opus Dei foi fundado em 1928 pelo Monsenhor Josemaria Escrivá de Balaguer, em Madri, na Espanha, canonizado pelo papa João Paulo II, em 2002.
O objetivo da instituição, seu carisma, é a “santificação do mundo por meio do trabalho”, “a santificação do mundo a partir de dentro”, “imitar a Cristo no meio do mundo”. Dito de outra forma: para Escrivá, cada católico poderia ser santo no meio do mundo secular e santificar esse mesmo mundo por meio do seu trabalho cotidiano, sua atividade diária. Não era preciso que os católicos vivessem reclusos como os monges para tornarem-se santos. Era possível tornar-se santo por meio da sua atividade laboral de todos os dias e, ao mesmo tempo, santificar o mundo e os outros por meio desse mesmo trabalho. É a este carisma que se refere um documento recente do Papa Francisco que altera fundamentalmente a estrutura hierárquica do Opus Dei.
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Catolicismos: origens e expressões no mundo
O Catolicismo construiu sua vocação sincrética na dualidade do singular e do plural, entre a multiplicidade de expressões e a unidade político-administrativa do papado, apoiado em uma cúria e um colégio central. Ao falar de Catolicismo, falamos da Igreja Católica Apostólica Romana. Ao falar de Catolicismo, falamos de vivências polifônicas. Tudo em relação, ainda que de forma tensa, mas simbiótica, entre mito e história, fé individual e potência mediadora do religioso, em que permeiam também lógicas tensionadas, cujo feixe passa por cada paróquia, bispado, papado, laicato, movimento, conferência episcopal, catolicismo.
Desde o momento fundacional na sociedade brasileira, o Catolicismo nunca foi unívoco, ainda que a Igreja Católica tenha buscado, ao longo dos séculos, assegurar certa univocidade a partir de seu rito agregador – a missa – e suas dinâmicas sociopastorais. Por isso, quando se trata de pensar como a cultura católica se disseminou na população brasileira, é importante considerar a multiplicidade do Catolicismo, sua multivocalidade, pluralidade e hibridismo.
Pesquisa: Cartografia dos Catolicismos Jurídicos Antigênero
Saiba como organizações católicas conservadores têm atuado no judiciário contra pautas de gênero, direitos sexuais e reprodutivos.

A abertura do movimento Vigílias Pela Terra, em Porto Alegre, reuniu cerca de 250 pessoas entre lideranças religiosas, movimentos sociais, coletivos e comunidades de fé. O encontro dá início a mobilização nacional em favor da justiça climática rumo à COP 30. O movimento é uma iniciativa do ISER. Saiba mais!
“A gente faz com que esse espaço seja de fortalecimento, luta e muito acolhimento”, afirma a pesquisadora do ISER Ane Rocha em entrevista para o Jornal do Almoço, telejornal local de Santa Catarina, durante o 8º Encontro da Rede Nacional de Vítimas do Estado, em Florianópolis. Participar desses debates reforça o compromisso do ISER com a luta pelo fim da violência de Estado. Assista!
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