Mapa aponta que 7 a cada 10 parlamentares eleitas são cristãs; 45,13% são de partidos de direita e 37,43% de esquerda
Qual a identidade religiosa das vereadoras eleitas que tomaram posse na Legislatura 2025-2028 nas 26 capitais do Brasil? Em busca desta resposta, o Instituto de Estudos da Religião (ISER) realizou uma pesquisa que levanta esses dados. O levantamento tem como objetivo estabelecer um perfil das mulheres eleitas nas capitais dos estados brasileiros, sob o viés da identidade religiosa. O estudo mostra que dos 840 vereadores eleitos, 179 são mulheres, com destaque para a capital de São Paulo que possui o maior número de parlamentares, sendo 55 eleitos e destes 20 são mulheres, o que representa a maior ocupação proporcional feminina em uma Câmara (36%). Seguido de Curitiba, com 38 vereadores eleitos, sendo 12 mulheres, representando 32%.
Em relação a identidade religiosa, os dados apontam que 69,27% são cristãs, representando 124 vereadoras, sendo 55 católicas, 47 evangélicas e 22 de identidade cristã não determinada. Outras religiões são representadas por 16 afrorreligiosas, três espíritas, uma judia e uma de espiritualidade indígena. Além de três serem identificadas com duplo pertencimento e categorizadas no levantamento como “afrocatólicas”. Entre as evangélicas, 29 são de igrejas pentecostais (61,7%), com predomínio das Assembleias de Deus (10) e da Igreja Universal do Reino de Deus (07).
Na categoria raça, a pesquisa revela que as parlamentares são majoritariamente brancas, sendo 100 (55,86%), frente a 77 negras (43%), uma indígena e uma amarela. No cruzamento com a religião, indica que as católicas são as mais brancas (33), e as evangélicas se distribuem entre brancas (27) e negras (22). Das 16 afrorreligiosas, dez são negras, bem como as três afrocatólicas. Todas as espíritas são brancas.
Quanto à vinculação partidária, os partidos que têm mais mulheres eleitas nas capitais do Brasil são o PT (23), o PSOL (22), o PL (19), o PP (16), o União Brasil (15), o PSD e o Republicanos (11, cada) e o PSB (10). Há um predomínio dos partidos de direita nestas vinculações, sendo representado por 45,13% vereadoras, frente a 37,43% da esquerda e 15,64% do centro. Estes números acompanham as tendências observadas em candidaturas com identidade religiosa nos pleitos de 2020 e 2022. Em relação à vinculação partidária com o pertencimento religioso, as evangélicas estão mais vinculadas a partidos de direita, as católicas se dividem entre direita e esquerda, e as afrorreligiosas são predominantemente de esquerda, com menor participação ao centro e nenhuma de partidos de direita.
Segundo a pesquisadora do ISER Magali Cunha, a predominância de mulheres evangélicas pentecostais entre as cristãs, reflete o que se observa do campo religioso quanto à interface religião e política nas disputas eleitorais. “O fato de cerca de 84% das vereadoras eleitas nas capitais do país terem uma identidade religiosa reafirma a forte relação das mulheres com expressões de fé religiosa. Também chama a atenção o predomínio de vinculações em partidos de direita, porém a distância não é tão intensa em relação à esquerda quando se considera apenas a categoria gênero, e é menor ainda em relação aos partidos de centro. Este é um dado significativo que corresponde a levantamentos anteriores com mulheres religiosas, de institutos de pesquisa e do ISER, revelando que o conservadorismo político tem maior apelo entre homens”, pontua.
A categoria gênero vem sendo uma das frentes de trabalho desenvolvidas pelo ISER, como na pesquisa Religião e Voto, realizada em 2020, que verificou como o discurso sobre gênero apareceu na busca por votos nas eleições municipais. Além do estudo Mulheres evangélicas, política e cotidiano, produzida em 2022, a partir de pesquisas de opinião que mostram como as mulheres evangélicas teriam papel crucial nas eleições nacionais daquele ano. O novo levantamento da identidade religiosa das vereadoras eleitas para as 26 capitais se soma a este conjunto de dados para o aprofundamento de análises em torno da interface religião, política e gênero.
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