Quinta-feira, 17 de Abril de 2025
Olá, tudo bem?
Você sabia que o Rio de Janeiro lidera o número de denúncias relacionadas ao racismo religioso no Brasil?
No estado do Rio de Janeiro testemunhamos atos de violência extrema no ataque às comunidades de terreiro, com dezenas de casas religiosas proibidas de funcionar, depredadas, incendiadas e alvejadas a tiros em várias regiões. Por outro lado, também é verdade que pessoas evangélicas, principalmente pentecostais, são frequentemente hostilizados e generalizados como radicais, conservadores, manipulados e preconceituosos.
Diante desse cenário e da necessidade cada vez maior de iniciativas que visam a defesa desses espaços, em 2021 foi aprovada a Lei Nº 9.301/2021, de autoria da deputada Renata Souza, que institui em todo estado do Rio de Janeiro a campanha “Abril Verde”, dedicado a ações de combate, prevenção e conscientização sobre racismo religioso.
Reafirmando o nosso compromisso no combate ao racismo religioso, o ISER vem participando de diferentes atividades do Abril Verde. Como na entrega do Prêmio Mãe Beata de Iemanjá, em reconhecimento às lideranças de religiões de matriz africana e suas atuações no combate ao racismo religioso, onde a pesquisadora Carolina Rocha foi homenageada e o nosso diretor de programas Ronilso Pacheco, um pastor evangélico, foi homenageado com o mesmo prêmio em 2024. As pesquisadoras Christina Vital e Carolina Rocha também participaram de um debate sobre o ataque às tradições de matriz africana na segurança pública do Rio de Janeiro, na Casa das Pretas.
No mês que é dedicado a ações de prevenção ao racismo religioso, lançamos o projeto AXÉ-AMÉM: Conectando pessoas evangélicas e de terreiros através das experiências de cooperação e fé.
A formação tem como objetivo promover o diálogo entre pessoas evangélicas e povos de terreiro, buscando superar hostilidades e construir um futuro mais inclusivo, onde as diferenças não sejam um entrave às possibilidades de cooperação. O foco principal é combater o racismo religioso, que afeta especialmente pessoas negras de matriz africana, mas também reconhece os impactos do racismo sobre evangélicos(as) negros.
As inscrições vão até o dia 04/05. Para participar, é preciso ter a partir de 18 anos, ser uma pessoa evangélica ou de terreiro e ter interesse pela temática racial e religiosa no Brasil.
É inegável a contribuição dos povos de matriz africana para a construção do Brasil, bem como de pessoas e grupos evangélicos comprometidas com democracia e direitos, e a despeito de toda violência, esses grupos seguem na atuação efetiva de políticas, conhecimentos, saberes e tecnologias que favorecem a todas as pessoas no país. Não há democracia plena enquanto não houver o direito de existir para todas as pessoas.
Um forte abraço,
Carolina Rocha
Pesquisadora do ISER
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Cinco livros para pensar o racismo religioso no Brasil
Publicado pelo Nexo Políticas Públicas, em parceria com a plataforma Religião e Poder, a pesquisadora do ISER Carolina Rocha indica cinco livros para pensar racismo religioso no Brasil.

Um Exu em Nova York
Cidinha Da Silva (Pallas, 2018)
No livro, o conceito de racismo religioso é trabalhado da melhor maneira possível: com exemplos cotidianos. Na escrita da autora, Exu, conhecido por seu caráter irreverente, desafiador, perspicaz e astuto, não poupa linhas para riscar seu nome no fluxo da história.
Performances do tempo espiralar: Poéticas do corpo-tela
Leda Maria Martins (Cobogó, 2021)
Em “performances do tempo espiralar”, a autora investiga as conexões entre corpo, tempo, performance, memória e a construção de conhecimentos. Leda consolida a noção de tempo espiralar, um conceito derivado da observação de práticas comunitárias e das bases cognitivas de diversos grupos étnicos africanos


Racismo religioso: Histórico e aparato jurídico
Hédio Silva Jr (Saraivajur, 2025)
A obra destaca o papel do direito penal na história, enfatizando como ele tem sido utilizado para controlar corpos, especialmente o cérebro, de africanos e seus descendentes. Aborda a supremacia racial e religiosa legitimada pelo direito até os dias de hoje, que tem como modelo o crime de curandeirismo e seus evidentes vieses religiosos.
Intolerância religiosa
Sidnei Nogueira (Pólen, 2020)
Neste livro, publicado na coleção Feminismos Plurais, o autor defende que a violência que acomete povos de terreiro no país é muito mais do que intolerância religiosa, parte do racismo histórico e estrutural que atravessa a construção da nossa sociedade.


Exu-mulher e o matriarcado nagô
Claudia Alexandre (Fundamentos De Axé, 2023)
No livro, a autora mostra que, na formação dos candomblés de tradição iorubá-nagô, o racismo religioso ganha centralidade a partir da figura de Exu e reivindica seu lado feminino, algo pouco explorado na literatura. Segundo ela, a masculinização e a demonização foram as principais transformações que Exu sofreu na travessia atlântica.
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